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A Grande Rio volta do recesso com música de alto nível e canto que já soa como Sapucaí

Na Brigadeiro Lima e Silva, a escola enfrenta ameaça de chuva, mantém o ensaio e mostra que a engrenagem de 2026 está viva — com brilho do casal e excelência do carro de som

Nem o feriadão prolongado, nem a ameaça de chuva tiraram a Grande Rio do trilho. De volta à Avenida Brigadeiro Lima e Silva, em Duque de Caxias, a tricolor fez do primeiro ensaio do ano um reencontro com a própria identidade: uma escola que se apoia na excelência musical para fazer o canto crescer, com andamento agradável, vozes sincronizadas e cordas bem desenhadas — mesmo quando a chuvinha obrigou os instrumentos a buscarem abrigo e deixou o gogó como protagonista.

O entrosamento entre Evandro Malandro e Mestre Fafá segue como uma das marcas mais fortes da temporada. O samba ganhou toques de maracatu que pincelaram a obra com pertinência e caíram na boca da comunidade. Mesmo com contingente menor, a resposta veio firme, especialmente na segunda parte, quando o povo explode em “Freire, ensine um país analfabeto”, e também no grito coletivo de “Casa de gueto! Casa de gueto!”, que vira motor de avenida. O diretor de carnaval, Thiago Monteiro, tratou o cenário como natural para o primeiro domingo do ano e celebrou a decisão de manter o treino, lembrando que ninguém chega pronto — ensaia porque precisa evoluir.

Sem comissão de frente neste dia, o primeiro casal, Daniel Werneck e Taciana Couto, virou cartão de visita. Estilo próprio, coreografias sincronizadas, intensidade na apresentação aos jurados e um final emblemático: pavilhão esticado, punho cerrado no verso “a revolução já começou” e mãos dadas para selar a assinatura de uma dança que tem personalidade e respeito pela rua.

Na evolução, organização sem sustos: nada de alas se espalhando, nada de buracos, tudo cadenciado para simular tempo e dar conforto ao desfile. A espontaneidade apareceu sem coreografias de ala, com gente brincando leve — e a promessa é de crescimento com a escola mais completa. Mestre Fafá já avisou: há bossas novas chegando, a bateria ainda está em processo e o objetivo é recuperar a nota máxima com confiança e trabalho. Sem a rainha Virgínia Fonseca, quem veio à frente foi David Brazil, ao lado da musa Thainá Oliveira, numa noite em que até o esquenta lembrou sambas recentes que viraram memória afetiva da escola.

A Grande Rio segue rumo a 2026 com o enredo “A Nação do Mangue”, de Antônio Gonzaga, e a sensação é clara: quando a música está tão bem cuidada, o canto encontra chão para virar avalanche.