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Unidos de Bangu: Um Grito de Resistência pela Aldeia Maracanã

O carnaval é mais que festa, é trincheira, é tambor que ecoa a voz dos que foram silenciados. Em 2025, a Unidos de Bangu pisa forte na Sapucaí com o enredo “Maraka’anandê, Resistência Ancestral”, exaltando a luta dos povos indígenas e homenageando a Aldeia Maracanã, símbolo de resistência no Rio de Janeiro.

Para o cacique Urutau Guajajara, a escolha da escola da Zona Oeste é um ato de coragem. A Aldeia Maracanã não é só um espaço físico, mas um marco da luta dos povos originários, um testemunho vivo dos mais de cinco séculos de resistência. O grito que ecoará na avenida é também um chamado à Justiça, que tantas vezes virou as costas para essa história.

O prédio, que um dia abrigou o Museu do Índio, foi abandonado por décadas, até ser retomado pelos indígenas em 2006. Em 2013, tornou-se alvo de disputa, quando o governo tentou expulsar seus ocupantes para abrir espaço a um estacionamento do Maracanã na Copa do Mundo. Desde então, os moradores da Aldeia Maracanã já enfrentaram sucessivas ordens de despejo, mas seguem firmes na luta para manter o espaço como um centro de cultura e resistência indígena.

O cacique ressalta a importância de demarcar a Aldeia Maracanã como uma universidade indígena, um espaço de conhecimento e fortalecimento da identidade dos povos originários, mesmo dentro do contexto urbano. Só recentemente o IBGE reconheceu a realidade indígena nas cidades, mas a Aldeia já bradava por essa existência há anos.

No desfile da Unidos de Bangu, os indígenas da Aldeia Maracanã estarão presentes, ocupando a avenida e levando consigo sua cultura, suas dores e sua luta. A comunidade da escola abraçou essa causa e promete mostrar que o carnaval também é conscientização. Como diz Claudia, diretora da ala coreografada, a missão do samba não é só emocionar, mas ensinar e abrir caminhos para o respeito e a valorização da história.

Na Sapucaí, o batuque de Bangu será um manifesto. É resistência, é luta, é a voz da aldeia se fazendo ouvir no compasso do surdo e na dança da bandeira.