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Mangueira brilha na Visconde de Niterói em um ensaio de arrepiar

Com todos os quesitos afiados para o grande dia, a Mangueira transformou a Visconde de Niterói em um verdadeiro espetáculo a céu aberto. Em seu penúltimo ensaio de rua, a comunidade mostrou força, entrega e emoção, fazendo da avenida um palco vibrante para o samba. Quarta escola a desfilar no domingo de carnaval, a Verde e Rosa está pronta para levar à Sapucaí o enredo “À Flor da Terra – No Rio da Negritude entre Dores e Paixões”, assinado pelo carnavalesco Sidney França.

Orgulho de ser favela

Da comissão de frente à última ala, o orgulho de ser Mangueira se espalhou por cada canto da avenida. O pedido do diretor de carnaval Dudu Azevedo foi atendido com louvor: a comunidade veio firme, energizada e vivendo cada verso do samba com intensidade.

Comissão de Frente

Depois de uma apresentação arrebatadora no primeiro ensaio técnico, os coreógrafos Karina Dias e Lucas Maciel continuam a moldar uma comissão de frente imponente, com representatividade e conexão total com o enredo. A performance enaltece o “cria” e transmite uma mensagem poderosa de resistência e identidade negra. Além da técnica impecável, a apresentação se destaca pelo impacto visual e pela emoção transmitida. A sensação é de que só falta o figurino para que o quesito esteja pronto para brigar pelo título.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Se há um trecho do samba que traduz a sintonia do casal da Mangueira, é “Força de Matamba”. Matheus Olivério e Cynthia Santos entregaram uma apresentação refinada e cheia de personalidade. Desta vez, os dois trouxeram contrastes: Matheus, com o cabelo descolorido, apostou em um bailado malandro e descontraído, enquanto Cynthia exalava força e imponência. Um jogo de contrastes que pode ser um spoiler do desfile ou apenas uma surpresa especial para o ensaio. O que ficou evidente é a versatilidade do casal e a consistência do pavilhão verde e rosa.

Harmonia e Evolução

A comunidade cantou com alma e intensidade do início ao fim. O canto uniforme se espalhou por todas as alas, com destaque para as alas comuns, que interpretaram o samba com paixão. A evolução aconteceu de forma fluida e natural, sem falhas ou desajustes perceptíveis. A sintonia entre os componentes e a bateria transformou o ensaio em uma verdadeira celebração.

Diferente de ensaios anteriores, as chamadas da equipe de harmonia foram mais discretas, o que demonstra que a escola já assimilou o que precisa ser feito na avenida. A escolha da Visconde de Niterói como palco dos ensaios foi um grande acerto para a preparação da Mangueira.

O Samba da Mangueira

Se ainda há quem questione o samba da escola, a comunidade não faz parte desse grupo. O canto firme e intenso foi a prova de que a obra foi abraçada por todos. Nos momentos em que a bateria e o carro de som silenciavam, a comunidade assumia o protagonismo, mantendo a energia lá no alto.

Ao final do ensaio, o diretor de carnaval Dudu Azevedo fez um balanço da preparação da escola e ressaltou a importância dos ensaios na Visconde de Niterói, que simulam as condições da Marquês de Sapucaí e ajudam a ajustar os últimos detalhes.

Outros destaques

À frente da bateria, Evelyn Bastos brilhou como sempre, exalando imponência e carisma. No fim do ensaio, foi cercada por um grupo de crianças, que correram para abraçá-la e dançar ao seu lado, em um momento espontâneo e emocionante.

O público presente deu um show à parte, mostrando que a conexão entre a Mangueira e sua comunidade segue mais forte do que nunca. A festa que tomou conta da Visconde de Niterói reafirmou que a escola chega pronta para disputar o título, levando consigo o peso da sua história e a força do seu povo.