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A Fumaça que Encanta: O Samba da Viradouro para 2025

A Viradouro mais uma vez mostra a ousadia que a consagra como uma das grandes da Sapucaí. Para o Carnaval 2025, a escola de Niterói traz um samba que foge aos padrões tradicionais, oferecendo uma obra repleta de novidade e intensidade. Com coragem e criatividade, a diretoria apostou em um samba que já nasce marcante, alinhando-se ao enredo “Malunguinho, o Mensageiro de Três Mundos”.

A assinatura do enredo, uma parceria do carnavalesco Tarcísio Zanon e do enredista João Gustavo Melo, desbrava a história do líder quilombola João Batista, mais conhecido como Malunguinho. Guerreiro de Pernambuco, ele liderou o Quilombo do Catucá e, após sua morte, se transformou em uma entidade reverenciada nos rituais da Jurema. No samba, Malunguinho transita entre a mata, a Jurema e a encruzilhada, os três mundos que dão nome ao enredo, enquanto sua trajetória é contada de forma poética e vibrante.

A composição, assinada por um time de craques, tem uma força melódica que encanta. Desde os primeiros versos, o samba já evoca Malunguinho com a força da fumaça sagrada: “Acenda tudo que for de acender / Deixa a fumaça entrar”. A obra mistura versos lentos com passagens aceleradas, equilibrando leveza e intensidade.

A poesia também se destaca nos trechos que exalam bravura e resistência. Malunguinho surge como um caboclo da mata, armado de coragem e revolta: “Eu sou caboclo da mata do Catucá! / Eu sou pavor contra a tirania!”. A riqueza melódica e a força dos versos reafirmam a alma combativa do homenageado, que se manifesta tanto no plano físico quanto no espiritual.

O samba ainda exalta a Jurema e seus poderes de cura, conectando o sagrado com a luta do povo negro. Quando chega à encruzilhada, Malunguinho se torna atemporal, guiando seu povo até os dias de hoje: “Do parlamento das tramas / Para os quilombos modernos”.

O refrão final tem um jeito pulsante, quase um ponto de terreiro, com repetições que energizam a obra e reafirmam sua ligação com Exu Trunqueiro e o Catimbó: “A chave do cativeiro / Virado no Exu Trunqueiro / Viradouro é Catimbó!”.

Com essa criação única, a Viradouro entrega um samba que não apenas narra o enredo, mas capta sua essência com originalidade e potência. É uma obra para transcender o desfile e marcar seu lugar na história. Deixe a fumaça entrar, porque a Sapucaí já está pronta para ser encantada.