A Beija-Flor de Nilópolis realizou seu último ensaio técnico antes do desfile oficial e transformou a Marquês de Sapucaí em um verdadeiro terreiro de força e tradição. O famoso rolo compressor nilopolitano, que marcou época e andava adormecido, ressurgiu com potência máxima, demonstrando que a escola está pronta para a disputa pelo título.
A comunidade azul e branca foi o grande destaque da noite, entregando um desempenho arrebatador do início ao fim. Técnica e emoção se fundiram de forma precisa, revelando uma harmonia impecável e uma sintonia admirável entre todos os segmentos da escola. A bateria soberana, sob o comando de mestres Plínio e Rodney, foi um show à parte, empolgando o público com sua cadência poderosa e bem ensaiada.
Além do impecável desempenho musical, a Beija-Flor mostrou solidez em todos os quesitos. A cada passo, ficava evidente que a agremiação não apenas entendeu a grandiosidade de seu enredo, mas o incorporou de forma visceral, fortalecendo ainda mais sua narrativa em homenagem ao mestre Laíla.
A escola será a segunda a desfilar no dia 03 de março, levando para a avenida o enredo “Laíla de todos os santos, Laíla de todos os Sambas”, desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo. A proposta é não apenas reverenciar o legado de Laíla, mas também eternizá-lo, celebrando sua contribuição incontestável ao mundo do samba.
Na comissão de frente, os coreógrafos Jorge Teixeira e Saulo Finelon, pelo terceiro ano consecutivo, entregaram uma apresentação impactante. A performance, marcada por uma estética forte e simbólica, trouxe bailarinos vestidos com figurinos que remetiam a sacos de lixo e os corpos pintados de branco, criando um contraste visual marcante. O ponto alto foi a presença imponente da figura de Exu, representado por um bailarino sobre pernas de pau, atravessando a avenida com agilidade impressionante.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso, mais uma vez, deu uma aula de elegância e carisma. Vestidos de branco, apostaram em uma coreografia clássica e sofisticada, com passos precisos e giros firmes. Mesmo enfrentando os fortes ventos próximos à primeira cabine de jurados, Selminha demonstrou total controle do pavilhão, reforçando a experiência e a segurança que consagram a dupla como referência no carnaval carioca.
Outro ponto que chamou atenção foi a harmonia da escola. O canto coletivo ecoou forte pela Sapucaí, mostrando que o rolo compressor nilopolitano estava de volta, vibrante e vigoroso. Mesmo sem a presença de Neguinho da Beija-Flor, o carro de som, liderado por Nino do Milênio e Leozinho Nunes, demonstrou entrosamento perfeito com a bateria, resultando em um samba pulsante, que arrebatou o público.
A evolução da escola ao longo da avenida foi fluida e coesa. Todas as alas cantaram com garra, reforçando a conexão entre a comunidade e o enredo. O grande momento veio nos versos que antecedem o refrão principal, embalados pelo canto potente da escola: “Da casa de Ogum, Xangô me guia, Da casa de Ogum, Xangô me guia, Dobram atabaques no quilombo Beija-Flor, Terreiro de Laíla, meu griô”.
A Beija-Flor deixou claro que não veio para brincar. O ensaio técnico foi mais do que uma preparação: foi uma declaração de força, união e tradição. Agora, com carros alegóricos embalados, fantasias prontas e a energia da comunidade elevada ao máximo, a escola segue em contagem regressiva para o grande desfile, determinada a conquistar mais um título e eternizar o legado de Laíla na Marquês de Sapucaí.


