Se alguém sentia falta daquele desfile arrasador da Beija-Flor, o primeiro ensaio técnico de 2025 deixou claro: a escola voltou com força total. Com garra, emoção e a comunidade cantando com a alma, a azul e branca de Nilópolis mostrou que está pronta para fazer história na avenida.
Desde o primeiro toque da bateria, a Sapucaí pulsou no ritmo da Baixada. O samba ecoou forte, embalado pelo coro da comunidade, homenageando Laíla, mestre que construiu a identidade da escola. Em cada olhar e em cada passo, a certeza de que essa será uma das apresentações mais marcantes da história da Beija-Flor.
O grande momento da noite foi a presença de Neguinho da Beija-Flor, que se despede dos desfiles da escola. Sua voz, sempre inconfundível, fez a Sapucaí tremer, com as arquibancadas cantando junto e a emoção tomando conta. No fim, com olhos marejados, Neguinho brincou: “Se no ensaio foi assim, no desfile oficial vou precisar de uns quatro calmantes pra aguentar”.
O enredo deste ano, “Laíla de todos os santos, Laíla de todos os Sambas”, vem como uma grande reverência ao mestre que revolucionou a forma de se fazer carnaval. O carnavalesco João Vitor Araújo promete um desfile grandioso, que levará toda essa força para a avenida.
A comissão de frente, comandada por Jorge Teixeira e Saulo Finelon, trouxe uma apresentação impactante, com coreografia precisa e um figurino que chamou atenção. O destaque foi a representação de Exu, cruzando a Sapucaí sobre pernas de pau com uma presença impressionante.
No casal de mestre-sala e porta-bandeira, Selminha Sorriso e Claudinho deram um show de elegância e técnica. Selminha, vestindo um figurino vibrante inspirado na cultura cigana, e Claudinho, sempre imponente no azul tradicional, fizeram giros impecáveis e emocionaram o público.
A bateria, sob o comando dos mestres Plínio e Rodney, sustentou o canto forte da escola, trazendo bossas ousadas e um paradão que destacou ainda mais a vibração da comunidade. O samba, que já era sucesso antes mesmo da escolha oficial, mostrou toda sua força na avenida, especialmente no refrão que fez a Sapucaí inteira cantar:
“Da casa de Ogum, Xangô me guia
Dobram atabaques no quilombo Beija-Flor
Terreiro de Laíla, meu griô.”
O ensaio técnico não deixou dúvidas: a Beija-Flor está afiada. Cada componente sabia exatamente o que fazer, garantindo uma evolução coesa e bem organizada. A comunidade, visivelmente emocionada, fez um desfile impecável do início ao fim.
O próximo ensaio técnico está marcado para 22 de fevereiro, logo após a lavagem da Sapucaí. Com a energia que mostrou neste primeiro teste, a Beija-Flor já deixa um recado claro para o carnaval: vem forte, vem com tudo, e Nilópolis quer seu título de volta.


