Na reta final antes do ensaio técnico na Sapucaí, a Mangueira botou fogo na Visconde de Niterói. O samba cresceu bonito, embalado pela sintonia certeira entre Marquinhos Art’Samba e Dowglas Diniz, que formam uma dupla entrosada pelo terceiro ano. A comunidade abraçou a obra, e a segunda parte, com um tom mais urbano, caiu como uma luva, levantando o canto das alas.
No bailado, Matheus Olivério e Cynthia Santos deram um show de energia e emoção, arrancando aplausos de quem acompanhava. No refrão “orgulho de ser favela”, a expressão do casal falava por si só, carregada de verdade e pertencimento.
A comissão de frente, sob a batuta de Lucas Maciel e Karina Dias, apostou na essência da dança afro-brasileira, sem firulas ou adereços, mas com uma pegada forte e bem marcada. O momento alto? Um dos integrantes no centro da roda, soltando passos de dança de rua e arrancando vibração do público.
O samba seguiu potente, do início ao fim. A cadência firme e a junção das vozes dos intérpretes seguraram o ritmo com maestria. O primeiro trecho, mais poético, abre caminho para uma segunda parte pulsante, com versos diretos como “a moda é ser cria”, que mexem com a alma do mangueirense. A harmonia da escola se manteve impecável, com toda a comunidade cantando forte.
Na evolução, a Verde e Rosa esbanjou ritmo e sintonia. A abertura veio mais coreografada, mas sem prender o passo. Do segundo setor em diante, alas soltas e vibrantes tomaram conta do ensaio. A ala das crianças brilhou, com os pequenos na ponta da língua e cheios de gás.
A bateria de Rodrigo Explosão e Taranta Neto fez seu papel, ditando o compasso e sustentando o canto da escola. Durante uma passada inteira, o som ficou apenas por conta dos surdos e tamborins, deixando o restante para a voz da comunidade.
A Mangueira mostrou que vem com tudo. O chão está pronto, o samba está na boca do povo, e a Sapucaí que se prepare.


